Michelle Bolsonaro veta Mário Frias e amplia guerra do PL pelo Senado em SP

Ex-primeira-dama barra deputado após atrito sobre inclusão e reforça disputa que já opõe ala ideológica a setores do PL que defendem André do Prado

admin

Michelle Bolsonaro vetou a candidatura de Mário Frias ao Senado por São Paulo em 2026 e ampliou a guerra interna da extrema direita no maior colégio eleitoral do país. A informação foi publicada nesta sexta-feira (24) pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e atinge diretamente a ala mais radical do PL.

O veto ocorre enquanto o partido de Jair Bolsonaro, inelegível e condenado por tentativa de golpe de Estado, tenta reorganizar sua tropa para a disputa de 2026. Em São Paulo, a briga envolve Mário Frias, André do Prado, Valdemar Costa Neto, Eduardo Bolsonaro e o cálculo sobre quem terá o selo do clã Bolsonaro para disputar o Senado.

A Fórum já mostrou que Valdemar foi aos Estados Unidos tentar obter a bênção de Eduardo Bolsonaro para emplacar André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, como nome do PL ao Senado.

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Michelle Bolsonaro barra Mário Frias

Segundo a coluna Painel, Michelle Bolsonaro resiste ao nome de Mário Frias por causa de uma fala do deputado contra a pauta da inclusão.

Frias afirmou que a “ladainha da inclusão” deveria ser eliminada da direita. A frase atingiu uma das principais vitrines políticas de Michelle, que tenta construir capital eleitoral em torno da defesa de pessoas com deficiência, famílias atípicas e políticas de acessibilidade.

A contradição é evidente. Enquanto Michelle tenta vender uma face social para o bolsonarismo, Frias vocaliza a brutalidade ideológica de um campo político que historicamente ataca direitos, minorias e políticas públicas de inclusão.

Mário Frias é deputado federal pelo PL de São Paulo. Antes de chegar ao Congresso, comandou a Secretaria Especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro acirra disputa que favorece André do Prado

O veto de Michelle não inaugura a crise, mas aprofunda uma disputa que já vinha isolando Mário Frias dentro do PL paulista.

A Fórum mostrou que Valdemar Costa Neto já cobrava espaço de Tarcísio de Freitas na chapa majoritária e defendia uma vaga do PL ao Senado em São Paulo.

Nos bastidores, André do Prado ganhou força como nome mais palatável para o partido. Presidente da Alesp, ele tem relação com prefeitos, trânsito no interior paulista e perfil menos explosivo do que Frias, um deputado associado ao bolsonarismo de choque.

André do Prado foi reeleito presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo para o biênio 2025-2027, segundo a própria Alesp. O cargo amplia sua influência na máquina política estadual e fortalece sua pretensão de disputar o Senado.

PL tenta recompor campo golpista para 2026

A escolha do candidato ao Senado em São Paulo passa por Eduardo Bolsonaro. Mesmo fora do país, o deputado federal segue como um dos operadores do bolsonarismo paulista e atua como avalista das negociações do PL no estado.

Valdemar Costa Neto já buscou Eduardo nos Estados Unidos para tentar conter a crise interna no partido, em meio à pressão do clã Bolsonaro sobre a montagem das chapas de 2026.

O movimento revela o esforço do PL para reorganizar o campo bolsonarista depois do fracasso da aventura golpista de 8 de janeiro e do avanço das investigações sobre a tentativa de ruptura institucional no país.

Para Valdemar, o desafio é acomodar a família Bolsonaro, a ala radical das redes e os grupos regionais que cobram viabilidade eleitoral. O veto de Michelle a Frias torna essa equação ainda mais instável.

Frias perde força no núcleo bolsonarista

Mário Frias apostava na fidelidade ideológica e no apelo junto à militância extremista para se viabilizar. O problema é que a disputa ao Senado exige estrutura, alianças regionais, palanque e autorização do núcleo familiar de Bolsonaro.

Sem Michelle, Frias perde um ativo simbólico importante. Com André do Prado em ascensão, Valdemar ganha uma alternativa menos ruidosa para negociar com Tarcísio e com prefeitos paulistas. E, com Eduardo Bolsonaro no centro da costura, o PL tenta decidir quem pode representar o bolsonarismo sem ampliar o desgaste da chapa.

O veto de Michelle Bolsonaro, portanto, vai além de uma rusga pessoal com Mário Frias. Ele escancara a disputa pelo controle da extrema direita paulista em 2026 e mostra que, mesmo dentro do campo bolsonarista, a guerra por espaço já começou.

Revista Forum

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