Moraes vota pela condenação de Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe

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O ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal (AP) 2668, votou nesta terça-feira (9) pela condenação dos oito réus do chamado “Núcleo Crucial”, acusados de participação em tentativa de golpe de Estado no Brasil. A sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi dedicada à apresentação do voto do relator, que detalhou a atuação da organização criminosa formada, segundo ele, por integrantes do governo federal e militares das Forças Armadas.

Para sete réus, Moraes apontou crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado. O deputado Alexandre Ramagem ficou de fora das acusações relativas a dano e deterioração, em razão de decisão da Câmara dos Deputados que suspendeu a tramitação desses pontos.

Réus julgados

  • Alexandre Ramagem – deputado federal e ex-diretor da Abin;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;
  • Augusto Heleno – ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (réu colaborador);
  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – general da reserva, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.

Organização criminosa e atos planejados

De acordo com Moraes, as provas reunidas pela Polícia Federal demonstram que a organização criminosa atuou de julho de 2021 a 8 de janeiro de 2023 com o “objetivo claro de restringir os poderes constituídos e impedir a posse do governo eleito”.

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O ministro citou como exemplos:

  • live de 29/7/2021, em que Jair Bolsonaro questionou as urnas eletrônicas;
  • reunião ministerial de 5/7/2022, classificada como “golpista”, que teria resultado na chamada minuta do golpe;
  • encontro com embaixadores em 18/7/2022, usado para propagar desinformação;
  • uso da PRF para dificultar a locomoção de eleitores;
  • relatório do Ministério da Defesa tentando lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral.

Moraes também lembrou da diplomação do presidente eleito em 12/12/2022, da tentativa de atentado a bomba no aeroporto de Brasília e da chamada operação Punhal Verde e Amarelo, plano que previa assassinatos do presidente eleito, do vice e do presidente do TSE.

Condutas individuais

  • Ramagem: elaboração de documentos contra o sistema eleitoral.
  • Garnier: colocou tropas da Marinha à disposição de Bolsonaro.
  • Torres: subordinava a PRF, usada para bloqueios no 2º turno.
  • Heleno: defendia “medidas de exceção” antes das eleições.
  • Cid: participou de reuniões, minutas e financiamento de atos.
  • Bolsonaro: líder da estrutura criminosa, utilizou o Estado para articular o golpe.
  • Nogueira: conduziu relatório das urnas e divulgou nota oficial considerada “esdrúxula”.
  • Braga Netto: manteve contato com acampamentos e apoiadores de atos golpistas.

Preliminares rejeitadas

O relator também rejeitou todas as alegações das defesas, como excesso de documentos, incompetência do STF e nulidades processuais. Destacou que a colaboração premiada de Mauro Cid é válida e que eventuais contradições não anulam o acordo.

Ao concluir, Moraes afirmou que não é possível “normalizar” os fatos ocorridos desde 2021.

“O Brasil demorou para atingir sua democracia. Não é possível banalizar esse retorno a momentos obscuros da história”, declarou.

Portal RotaPB

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