PF investiga se Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil

Segundo site argentino, senador teria deixado o país pela Argentina; coporação verificou que ele não teria passado por nenhum ponto migratório e, agora, ouve autoridades argentinas

Redação
Foto: Adriano Machado/Reuters

A Polícia Federal investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial, deixou o país pela Argentina com o objetivo de ir para os Estados Unidos. A informação da suposta fuga foi divulgada por um site argentino.

O Valor apurou que corporação já verificou que Flávio não teria passado por nenhum ponto migratório. Agora, a PF está checando junto a autoridades argentinas se o senador derrotado nas eleições presidenciais deixou mesmo o Brasil e foi para o país vizinho.

Questionada, a assessoria de Flávio ainda não confirmou se ele está no Brasil hoje.

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Segundo a Bloomberg, o secretário de imprensa do presidente da Argentina, Javier Milei, negou que Flávio Bolsonaro, tenha entrado no país.

Ordem para entregar passaportes
Flávio publicou um video nas redes sociais, na segunda-feira (26), afirmando que havia sido intimado “no meio da rua” pela PF, para que entregasse seus passaportes, e também foi informado que não poderia deixar o país.

“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele. No meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes, e também estou proibido de deixar o país”, declarou.

Ele classificou a ordem como uma tentativa de intimidação e disse que “nunca” pensou em sair do país. “Eu vou entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração. É uma clara tentativa de me intimidar. Ninguém vai me calar”, disse Flávio no vídeo.

A determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem é para que Flávio entregue, em até 24 horas, seus passaportes comuns e diplomáticos. Moraes ta,bém proibiu o senador de se comunicar com o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados em um inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro.

Investigação

A investigação foi iniciada na justiça do Rio Grande do Sul para tratar de suspeitas de evasão de divisas e apostas virtuais para lavar dinheiro. O caso subiu ao STF após menções a Flávio, que, em razão do cargo de senador, tem direito a foro privilegiado. Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de contas e empresas de Tomaz. Também foi determinada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado das empresas Alcazar Brasil LTDA, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings, e Catedral — Holdings SGPS.

Na ocasião, foi determinada ainda uma análise sobre a rede de correntistas da empresa Alcazar Holdings, dona da conta que tinha Flávio cadastrado como “usuário master”.

A PF disse a Moraes que o perfil de “usuário master” de Flávio deu ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “elevado nível de acesso” a uma conta do Santander em nome da Alcazar Holdings, administrada por Willer e com sede em Portugal. O acesso à conta foi excluído em maio de 2025.

Eduardo Bolsonaro

No vídeo publicado na segunda-feira, após a intimação, Flávio disse que a decisão de Alexandre de Moraes que ordenou a entrega dos passaportes se baseou em uma fala de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, durante uma live realizada em 23 de outubro.

Eduardo afirmou, na ocasião, que o então candidato à Presidência deveria deixar o país se, como aconteceu no domingo, ele perdesse a eleição.

Caso ‘Dark Horse’

Além do inquérito relacionado a Willer Tomaz, Flávio também é investigado por suspeita de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção envolvendo o financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Essa apuração é relatada pelo ministro André Mendonça.

Flávio pediu no ano passado R$ 134 milhões ao então banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para supostamente financiar a obra sobre Bolsonaro. A PF investiga a operação e se o dinheiro foi utilizado para outro fim, como custear as despesas de Eduardo. Nos Estados Unidos desde o ano passado, o irmão de Flávio tem atuado para pressionar autoridades americanas contra integrantes do STF, e foi condenado por coação.

A investigação sobre o filme Dark Horse foi aberta em julho deste ano e a PF já pediu a prorrogação dela para avançar nas análises das documentações sobre remessas ao exterior, já que o dinheiro foi enviado por Vorcaro por meio de operadores financeiros para um fundo nos Estados Unidos de um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. Flávio nega irregularidade no episódio e afirma que se tratou apenas de um pedido de patrocínio privado para um filme sobre o pai dele, sem contrapartida.

Valor Economico

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