Quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno. Abstenção caiu em 18 unidades da Federação, com destaque para Bahia e Pernambuco, mas aumentou em nove Estados, principalmente no Norte.
A eleição presidencial de 2026 registrou a maior queda da abstenção entre o primeiro e o segundo turno desde a redemocratização, em 1989. A proporção de eleitores ausentes passou de 21,08%, em 4 de outubro, para 19,22%, neste domingo (25), uma redução de 1,86 ponto percentual. Em números absolutos, a quantidade de eleitores que deixaram de votar diminuiu em 2,96 milhões.


A queda histórica da abstenção coincidiu com a virada inédita de Lula (PT), primeiro candidato a reverter uma derrota no primeiro turno e vencer uma eleição presidencial no Brasil. O petista ampliou sua votação em 10,38 milhões de votos, passando de 53,88 milhões para 64,26 milhões. Flávio Bolsonaro (PL), que havia liderado a primeira etapa, ganhou 3,72 milhões de votos, chegando a 59,83 milhões. O crescimento de Lula foi quase três vezes maior que o do adversário, embora os dados não permitam determinar quantos eleitores que haviam se abstido no primeiro turno votaram em cada candidato.
Abstenção maior em nove Estados
Levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que a abstenção caiu em 17 Estados e no Distrito Federal, mas aumentou em nove unidades federativas. A Bahia registrou a maior redução proporcional, enquanto o Amapá apresentou a maior alta.

Mapa da abstenção no primeiro e no segundo turno.Arte Congresso em Foco
Esta foi apenas a segunda eleição presidencial desde 1989 em que a abstenção diminuiu entre os dois turnos. A primeira ocorreu em 2022, quando o índice recuou de 20,95% para aproximadamente 20,59%, uma queda de 0,36 ponto percentual. Em 2026, a redução foi cerca de cinco vezes maior.
No primeiro turno, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas. No segundo, foram 30.509.005. O aumento da participação ocorreu na disputa em que o presidente Lula (PT) foi reeleito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Sudeste lidera queda; Norte tem movimento contrário
A abstenção diminuiu em quatro das cinco regiões brasileiras. O Sudeste apresentou a maior redução proporcional, caindo de 22,70% para 20,24%, seguido pelo Sul, Nordeste e Centro-Oeste. O Norte foi a única região com crescimento das ausências. No Sul, o recuo foi de 20,46% para 18,19%, diferença de 2,27 pontos.
O Nordeste manteve a menor taxa de abstenção do país, com redução de 18,39% para 16,44%, enquanto o Centro-Oeste registrou queda de 21,70% para 20,03%. No Norte, o comportamento foi oposto: a proporção de ausentes aumentou de 19,43% para 21,21%, alta de 1,78 ponto percentual.
Bahia e Pernambuco têm maiores reduções
A Bahia liderou a queda da abstenção entre os Estados. A taxa passou de 19,97% para 16,71%, uma redução de 3,26 pontos percentuais. Pernambuco aparece em segundo lugar, com recuo de 18,17% para 15,18%, diferença de 2,99 pontos.
Em São Paulo, a abstenção diminuiu de 22,54% para 19,81%, queda de 2,73 pontos percentuais. Em números absolutos, o Estado teve a maior redução de ausências do país: aproximadamente 932 mil eleitores a menos deixaram de votar.
Também se destacaram Mato Grosso do Sul, com queda de 2,63 pontos percentuais, Paraná (2,53), Minas Gerais (2,48) e Rio Grande do Norte (2,32). O Ceará terminou o segundo turno com a menor abstenção do Brasil, de 13,89%, seguido por Pernambuco (15,18%) e Paraíba (15,54%). No Distrito Federal, o índice recuou de 18,90% para 17,30%, uma diferença de 1,60 ponto percentual.
Amapá, Roraima e Acre lideram aumentos
Na contramão da tendência nacional, a abstenção cresceu em nove Estados, sete deles localizados na região Norte. O Amapá registrou o maior aumento, de 8,06 pontos percentuais. A taxa subiu de 17,41% no primeiro turno para 25,47% no segundo. Em números absolutos, o total de ausentes passou de 100.426 para 146.935, acréscimo de 46.509 eleitores.
Roraima teve a segunda maior alta, de 17,12% para 23,15%, aumento de 6,03 pontos percentuais. No Acre, o índice passou de 20,43% para 26,08%, crescimento de 5,65 pontos. A abstenção também aumentou no Amazonas (1,51 ponto percentual), Pará (1,22), Tocantins (0,89), Maranhão (0,63), Rondônia (0,21) e Piauí (0,04).
O Acre terminou a eleição com a maior taxa de abstenção do país, seguido pelo Amapá e por Roraima. Em contrapartida, todos os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, registraram queda.
Mobilização eleitoral
A redução histórica da abstenção ocorreu em uma eleição marcada pela mobilização das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e pela ampliação do horário de votação em parte das seções eleitorais.
No domingo, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas às 17h. A decisão ocorreu após pedidos relacionados a dificuldades no transporte de eleitores e a problemas provocados pelas chuvas. Derrotado por uma diferença de mais de 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro não reconheceu a vitória de Lula e afirmou que vai pedir a anulação do segundo turno.
Não há, porém, um levantamento oficial divulgado pelo TSE que permita determinar quantos votos foram efetivamente viabilizados pela decisão. Parte dos registros posteriores às 17h corresponde a eleitores que já estavam na fila e tinham direito de votar independentemente da prorrogação.
Congresso em Foco