Soraya Thronicke é condenada a pagar R$ 50 mil a vice de Flávio

Justiça de Alagoas considerou que senadora ultrapassou os limites da imunidade parlamentar ao acusar Alfredo Gaspar de estupro sem apresentar provas. Cabe recurso.

Redação
Soraya Thronicke ainda pode recorrer de condenação.Jefferson Rudy/Agência Senado

A Justiça de Alagoas condenou nesta sexta-feira (9) a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) a indenizar em R$ 50 mil o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). O juiz Henrique Gomes de Barros Teixeira, da 3ª Vara Cível de Maceió, considerou que a parlamentar ultrapassou os limites da imunidade parlamentar ao atribuir ao deputado a prática de estupro sem apresentar elementos que sustentassem a acusação. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

Para o magistrado, a proteção constitucional assegura aos parlamentares liberdade para fiscalizar agentes públicos, formular críticas e denunciar irregularidades, mas não afasta automaticamente a responsabilidade por acusações de crimes sem respaldo probatório. “A imunidade parlamentar existe para garantir a independência do mandato, não para converter o parlamentar em pessoa juridicamente imune à responsabilidade”, afirmou o juiz.

A ação foi apresentada por Gaspar após declarações de Soraya em uma entrevista coletiva concedida ao lado do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), durante os trabalhos da CPMI do INSS, da qual o deputado alagoano foi relator. Gaspar sustentou que a acusação era falsa e que sua divulgação atingiu sua honra e reputação.

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Na defesa, Soraya argumentou que suas manifestações estavam relacionadas ao exercício do mandato, à fiscalização de agentes públicos e ao combate à violência contra mulheres. Também negou ter agido com a intenção de prejudicar a imagem de Gaspar.

O juiz não acolheu os argumentos. Segundo a sentença, declarações feitas fora do recinto legislativo, inclusive em entrevistas e redes sociais, podem ser protegidas pela imunidade parlamentar quando relacionadas ao exercício do mandato. No caso, porém, ele entendeu que a acusação ultrapassou os limites da crítica política e não apresentou suporte factual suficiente.

Arquivamento no Supremo

A sentença também levou em conta uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que determinou na última terça-feira (6) o arquivamento de uma representação encaminhada pela Polícia Federal para apurar as acusações contra Gaspar.

Gilmar acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República após diligências preliminares que, segundo a decisão citada pelo juiz alagoano, não conseguiram confirmar os fatos narrados nem identificar com segurança as pessoas envolvidas.

O magistrado fez uma ressalva: o arquivamento não significa uma declaração definitiva de que os fatos não ocorreram e não impede a retomada da apuração caso surjam novas provas. Para o julgamento da ação civil, considerou relevante que as diligências não tenham encontrado elementos capazes de dar sustentação às acusações públicas.

No processo, Gaspar também se submeteu a um exame de DNA determinado pela Justiça alagoana. O procedimento permitiu a obtenção de seu perfil genético, apto a futuras comparações. O laudo, porém, não comprovou nem descartou a ocorrência do crime investigado.

Danos à reputação

Ao reconhecer o direito à indenização, o juiz considerou a gravidade da acusação, sua divulgação pública e os possíveis efeitos sobre a credibilidade de Gaspar, que exerceu funções no Ministério Público e na segurança pública de Alagoas antes de chegar ao Congresso.

“A imputação factual de crime grave, desprovida de substrato probatório suficiente e amplamente divulgada, caracteriza abuso do direito de manifestação”, escreveu o magistrado.

Além da indenização de R$ 50 mil, sujeita à atualização, Soraya foi condenada ao pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da condenação. A sentença pode ser contestada no Tribunal de Justiça de Alagoas. A senadora tentou, sem sucesso, a reeleição este ano. Seu mandato se encerra em 31 de janeiro de 2027.

Leia a íntegra da decisão do juiz

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