O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados da operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão foi tomada na última sexta-feira (21) e está sob sigilo, conforme apurou o SBT News.
A autorização atende a um pedido da própria PF, que já iniciou os trâmites administrativos com a Justiça de São Paulo para obter as informações.
A corporação investiga se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas a Karina foram usados para financiar a produção do longa-metragem. Ela é dona da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment.
A operação da Polícia Civil foi deflagrada em junho e apura suspeitas de fraude, superfaturamento e desvio de recursos públicos em um contrato firmado entre o ICB e a prefeitura de São Paulo para a execução de um programa de Wi-Fi na capital paulista.
Na ação, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão nas sedes do ICB e da Go Up, além de dois endereços residenciais de Karina.
O foco da investigação da PF é diferente do inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo. No entanto, os dados apreendidos na operação envolvendo Karina e suas empresas poderão ser utilizados pela corporação para apurar se recursos públicos foram empregados no financiamento do filme.
Uma das suspeitas é que valores provenientes do contrato firmado com a prefeitura de São Paulo tenham sido desviados e direcionados à produção do longa por meio da Go Up.
Ação no Supremo
No STF, Dino é relator de processos que tratam de possíveis irregularidades na destinação e aplicação de emendas parlamentares. Uma dessas ações apura especificamente a suspeita de uso de recursos dessa natureza para financiar o “Dark Horse”. Em julho, o ministro autorizou que a PF abrisse um inquérito para apurar o caso.
O processo teve origem em uma ação apresentada pelos deputados federais Henrique Vieira (Psol-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP), que pediram a investigação de possíveis irregularidades.
Entre os parlamentares citados está Mario Frias (PL-SP), que também atua como produtor-executivo do filme. Segundo Tabata, Frias teria destinado ao menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina.
Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-RS) também são apontados como parlamentares relacionados ao caso. Os três negam irregularidades.
SBT Brasil