Os ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade iniciaram uma greve por tempo indeterminado à meia-noite desta terça-feira (4), após a categoria rejeitar, em assembleia realizada na noite de segunda-feira (3), a proposta apresentada pelo Governo de São Paulo.
Com a paralisação, as três linhas não iniciaram a operação no começo do dia, provocando transtornos para milhares de passageiros que dependem do transporte ferroviário na Região Metropolitana de São Paulo.
Para minimizar os impactos no trânsito, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta terça-feira (4). Já o Governo do Estado informou que a Justiça do Trabalho determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos.
Principal reivindicação
O Sindicato dos Ferroviários Central do Brasil afirma que o principal motivo da greve é a falta de garantia de emprego para os trabalhadores após a concessão das linhas à iniciativa privada.
Entre as reivindicações da categoria estão:
- Garantia dos postos de trabalho na CPTM;
- Apoio ao Projeto de Lei 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp);
- Cancelamento da concessão da Trivia Trens;
- Retorno definitivo das linhas à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
O sindicato informou que a situação poderá sofrer alterações ao longo do dia e orientou os passageiros a acompanharem os canais oficiais para novas informações sobre a circulação dos trens.
Incêndio aumentou a crise
A greve ocorre poucos dias após um incêndio provocado por um curto-circuito em um trem da Linha 12-Safira, episódio que interrompeu a circulação das linhas 11, 12 e 13.
Após o incidente, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM reassumisse temporariamente a operação das três linhas e do Serviço Expresso Aeroporto por um período inicial de até 90 dias.
O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a concessionária Trivia Trens poderá perder a concessão caso não cumpra as obrigações previstas em contrato, incluindo a possibilidade de declaração de caducidade.
MP e TCE investigam a concessionária
A crise também passou a ser investigada pelos órgãos de fiscalização.
O Ministério Público de São Paulo recebeu representações pedindo a abertura de inquérito para apurar a concessão das linhas e a suspensão do contrato, enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) determinou que a Trivia Trens e o Governo do Estado apresentem esclarecimentos sobre as falhas registradas desde o início da operação.
Entre os documentos solicitados estão planos de contingência, relatórios de manutenção, laudos de segurança e informações sobre a capacidade operacional da concessionária.
Enquanto as investigações seguem em andamento, não há previsão para o encerramento da greve, e os passageiros devem buscar rotas alternativas e acompanhar as atualizações divulgadas pelos órgãos responsáveis.