Santa Rita, na Paraíba, está entre as 10 cidades mais violentas do Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (23). O município aparece na 9ª posição, com uma taxa de 60,9 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
O levantamento revela que as dez cidades com as maiores taxas de violência do país estão localizadas na Região Nordeste. Maranguape (CE) lidera o ranking com índice de 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, seguida por Eunápolis (BA), com 85,1, e Maracanaú (CE), com 80,7.
O estudo considera a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI), indicador que reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial em municípios com mais de 100 mil habitantes.
Segundo o Anuário, a Bahia concentra cinco das dez cidades mais violentas do país. O Ceará possui três municípios no ranking, enquanto Pernambuco e Paraíba aparecem com uma cidade cada.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a concentração da violência em cidades nordestinas está relacionada, principalmente, às disputas entre facções criminosas pelo controle de rotas estratégicas do tráfico de drogas, especialmente em municípios cortados por rodovias federais ou próximos de portos e aeroportos utilizados como corredores logísticos para o tráfico nacional e internacional.
Ranking das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025
- Maranguape (CE) – 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
- Eunápolis (BA) – 85,1;
- Maracanaú (CE) – 80,7;
- Porto Seguro (BA) – 71,2;
- Simões Filho (BA) – 68,1;
- Jequié (BA) – 67,4;
- Caucaia (CE) – 66,6;
- Cabo de Santo Agostinho (PE) – 65,1;
- Santa Rita (PB) – 60,9;
- Juazeiro (BA) – 55,8.
Entenda os fatores apontados pelo estudo
O Anuário destaca dois fatores principais para explicar a concentração das maiores taxas de mortes violentas nesses municípios. O primeiro é a localização estratégica de cidades do interior cortadas por importantes rodovias, utilizadas como corredores para o transporte de drogas entre diferentes regiões do país.
O segundo fator envolve municípios litorâneos que possuem portos e aeroportos, utilizados como pontos de saída de cocaína para o mercado internacional e para o abastecimento do comércio ilegal.
No caso de Santa Rita, o estudo aponta que a cidade ocupa uma posição estratégica por estar próxima ao Porto de Cabedelo e ao cruzamento das rodovias BR-101 e BR-230, fatores que favorecem a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas.
O Anuário conclui que a expansão das facções criminosas para as regiões Norte e Nordeste e a disputa pelo controle dessas rotas logísticas têm alterado a dinâmica da violência no país, fazendo com que o Nordeste lidere as taxas de Mortes Violentas Intencionais desde 2020.