Ausência de vereadores da base em inauguração expõe desgaste e falta de comando político da gestão Lucinha em Mari

Baixa presença da base governista em ato institucional fortaleceu a percepção de isolamento e fragilidade política da administração municipal.

admin

A reinauguração do prédio da Prefeitura Municipal de Mari, promovida pela gestão da prefeita Lucinha da Saúde, deveria simbolizar organização administrativa, recuperação da estrutura pública e fortalecimento institucional. Mas, na prática, o que mais chamou atenção nos bastidores políticos não foi a obra entregue, e sim o esvaziamento de parte expressiva da própria base governista.

Segundo informações de bastidores, apenas os vereadores Nice do Assentamento, Kecinha de Osimar e Diego estiveram presentes no ato representando o Legislativo. A ausência de outros parlamentares que ainda se apresentam como aliados da prefeita caiu como um recado político nada sutil e acendeu novos questionamentos sobre o clima interno da gestão.

Em política, ausência também fala. E, muitas vezes, fala mais alto que discurso em palanque. Quando uma gestora realiza um evento institucional importante e não consegue reunir nem mesmo a maioria dos vereadores da sua base, o fato deixa de ser detalhe e passa a ser sintoma. Em Mari, o episódio foi lido por muitos como mais uma demonstração de fragilidade na articulação política do governo municipal.

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O gesto ganha ainda mais peso porque aconteceu em uma semana de forte tensão nos bastidores. Nos últimos dias, vereadores ligados ao campo governista participaram de movimentações políticas, encontros reservados e até eventos vinculados ao ex-prefeito Antônio Gomes, principal adversário político da atual prefeita. O cenário ampliou a percepção de que há, no mínimo, desconforto, ruído e insatisfação dentro da base.

A reunião realizada na casa da vereadora Tânia, anunciada nas redes sociais como encontro para tratar de “assuntos importantes”, acabou alimentando ainda mais as especulações. Nos bastidores, a leitura é de que o grupo vem se movimentando, conversando e avaliando caminhos, inclusive diante do desgaste da gestão e da dificuldade de diálogo político com setores da Câmara.

A situação se torna ainda mais delicada porque o problema não parece ser apenas pontual. O esvaziamento do evento reforça uma narrativa que já circula nos corredores da política local: a de que a prefeita enfrenta dificuldades de liderança, de interlocução e de manutenção do prestígio político até mesmo entre aqueles que, em tese, deveriam estar ao seu lado nos momentos simbólicos da administração.

Outro elemento que passou a movimentar o xadrez político de Mari é o nome do empresário Luis Henrique do Abacaxi, citado nos bastidores como figura presente em articulações recentes com vereadores ainda vinculados à base. Ainda que não haja confirmação oficial sobre qualquer projeto, a simples circulação desse nome já foi suficiente para aumentar as especulações sobre rearrumação de forças e até sobre a formação de um novo campo político com vistas a 2028.

No fim das contas, a reinauguração da Prefeitura acabou revelando mais do que uma obra pública: expôs o atual termômetro político da gestão. E o termômetro, ao que tudo indica, não marca estabilidade. Quando faltam lideranças, sobram sinais. E, em Mari, os sinais emitidos no evento foram claros demais para serem tratados como mera coincidência.

Napoleão Soares

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