O ano de 2025 terminou com um sinal de alerta aceso nas finanças de Marí. Dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) revelam que o município encerrou o exercício com déficit orçamentário de R$ 14.594.286,59. A cidade arrecadou R$ 109.099.944,16, mas teve despesas que somaram R$ 120.617.302,83. O índice de 0,91 indica que a gestão gastou consideravelmente mais do que entrou nos cofres públicos ao longo do ano.
O resultado coloca Marí entre os 73 municípios paraibanos que fecharam 2025 no vermelho — quase 33% das cidades do Estado. No painel de execução orçamentária do TCE-PB, o município aparece entre os primeiros colocados no recorte exibido, evidenciando um dos maiores desequilíbrios proporcionais entre receita e despesa naquele levantamento. Para uma cidade de porte médio, um rombo superior a R$ 14 milhões não é apenas um número contábil: é um impacto direto na capacidade de investimento, na manutenção de serviços e no cumprimento de compromissos financeiros.

O dado se torna ainda mais sensível quando se observa que não houve queda nos repasses federais. De acordo com a Federação das Associações dos Municípios da Paraíba (Famup), os municípios da Paraíba receberam, juntos, R$ 198 milhões a mais do Fundo de Participação dos Municípios em 2025. Ou seja, o argumento de frustração de receita não se sustenta como justificativa automática para o desequilíbrio fiscal.
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Especialistas em gestão pública apontam que déficits sucessivos costumam estar ligados ao crescimento contínuo da folha de pagamento, aumento de contratos de prestação de serviço, despesas de custeio elevadas e ausência de planejamento financeiro de médio prazo. Quando a despesa cresce em ritmo superior à receita, o resultado é previsível: fechamento do exercício no vermelho.
O déficit de 2025 levanta questionamentos inevitáveis: houve planejamento orçamentário realista? As despesas foram compatíveis com a capacidade de arrecadação do município? Houve expansão de gastos sem a devida compensação financeira? São perguntas que a sociedade marienses deve fazer e que a gestão municipal precisa responder com transparência.
Além do impacto imediato, o desequilíbrio pode trazer consequências futuras, como restrições fiscais, dificuldade para celebrar convênios, comprometimento de investimentos estruturantes e maior dependência de transferências externas. Em um cenário em que o próprio Estado registrou redução no número de cidades deficitárias em comparação a 2024, o resultado de Marí reforça a necessidade de revisão de prioridades, controle rigoroso das despesas e responsabilidade fiscal efetiva.
Mais do que números frios em uma planilha, o déficit orçamentário representa um desafio concreto para a estabilidade financeira do município — e um teste de gestão que exigirá respostas claras e medidas consistentes nos próximos meses.
73 municípios que fecharam 2025 com déficit orçamentário:
Água Branca; Alcantil; Aparecida; Araruna; Areia de Baraúnas; Assunção; Bananeiras; Barra de São Miguel; Belém do Brejo do Cruz; Boa Ventura; Bom Sucesso; Boqueirão; Brejo dos Santos; Caiçara; Caldas Brandão; Camalaú; Campina Grande; Catolé do Rocha; Catingueira; Caturité; Condado; Coremas; Cruz do Espírito Santo; Cubati; Curral de Cima; Cuité de Mamanguape; Dona Inês; Duas Estradas; Emas; Esperança; Itapororoca; Jacaraú; Juarez Távora; Lagoa de Dentro; Lagoa Seca; Lucena; Manaíra; Mari; Monteiro; Olho d’Água; Olivedos; Passagem; Patos; Paulista; Pedro Régis; Picuí; Pocinhos; Prata; Princesa Isabel; Remígio; Riacho de Santo Antônio; Riacho dos Cavalos; Rio Tinto; Salgadinho; Santa Inês; Santa Teresinha; Santana dos Garrotes; Sapé; São Domingos; São Domingos do Cariri; São Francisco; São José de Espinharas; São José de Piranhas; São José do Bonfim; São José dos Cordeiros; Serraria; Sobrado; Solânea; Sousa; Tacima; Triunfo; Umbuzeiro; Vista Serrana.
Do ManchetePB
com Jornal da Paraíba
Tribunal de Contas da Paraíba