Após o recesso de carnaval, a Câmara Municipal de Mari retomou, nesta terça-feira (25), suas atividades legislativas em uma sessão marcada por críticas contundentes à gestão da prefeita Lucinha da Saúde, denúncias sobre falhas na área da saúde e apelos emocionados por mais sensibilidade da administração pública diante do sofrimento da população.
O encontro, que inaugurou o novo espaço “Tribuna do Povo”, criado para garantir a participação popular nas sessões, contou com a presença de representantes da sociedade civil, como a sindicalista Severina Barbosa e o morador Luiz Trindade, do Assentamento Tiradentes. Também foi apresentado o novo sistema eletrônico de votação da Casa, que moderniza o trabalho dos vereadores com o uso de tablets e painel digital.
Mas, apesar do clima de inovação no plenário, o tom da sessão foi de forte crítica e preocupação com os rumos do município.
🚀 Quer saber antes de todo mundo? Junte-se ao nosso grupo do WhatsApp: Clique aqui
O vereador Alisson José abriu o debate com um discurso emocionado, classificando o momento vivido por Mari como “um pesadelo”. Ele relatou casos graves de negligência na área da saúde, citando o suicídio de uma mulher que, segundo ele, vinha enfrentando dificuldades para conseguir medicação controlada.
“Mari está vivendo um momento triste, um momento de angústia. É gente se mutilando e tirando a própria vida por falta de remédio. Isso é desumano. Se o secretário de Saúde não tem competência, que entregue o cargo”, disparou o parlamentar.
Na mesma linha, o vereador Erivan Souza fez duras acusações à gestão, relatando o caso de uma criança de cinco meses que sofre de alergia severa e teve negado o acesso à fórmula alimentar especial recomendada pelos médicos.
“A mãe me ligou quase meia-noite pedindo comida para o filho. Essa criança precisa de 10 latas de fórmula por mês e recebeu apenas quatro em cinco meses. Isso é desumano. A prefeita se apresenta como ‘mãinha’, mas que mãe é essa que nega alimento a uma criança?”, questionou Erivan, sob aplausos do público presente.
O parlamentar ainda anunciou a intenção de protocolar uma CPI para investigar a compra de computadores para professores, denunciando possíveis irregularidades na prestação de contas enviada ao Tribunal de Contas do Estado.
Mesmo integrante da base aliada, o vereador Ronaldinho também demonstrou insatisfação com a forma como a prefeita conduz o governo.
“Não é porque sou aliado que tenho que ser alienado. O que é certo é certo, o que é errado é errado. Tem uma mãe com um bebê especial esperando ajuda e nada é feito. Ser aliado é ajudar a gestão a corrigir os erros, não fechar os olhos para eles”, afirmou o vereador, reforçando o coro de cobranças.
A sindicalista Severina Barbosa usou a Tribuna do Povo para relatar o drama de famílias que enfrentam a falta de atendimento médico e o abandono do Raio-X municipal, equipamento que, segundo ela, está há mais de um ano sem funcionar.
“Minha mãe sofreu por falta do Raio-X, e eu não quero isso para mais ninguém. Prefeita, coloque o Raio-X para funcionar. É inacreditável que um equipamento tão necessário esteja parado enquanto o povo sofre”, desabafou Severina, pedindo união dos vereadores em defesa das mães que lutam por alimentação e atendimento digno.
Já Luiz Trindade, representante do Assentamento Tiradentes, denunciou problemas estruturais nas estradas vicinais e nas unidades de saúde, relatando o desconforto de pacientes atendidos em condições precárias e sem ar-condicionado.
A presidente da Câmara, Djacyaara Moura, destacou os avanços administrativos da Casa Legislativa — como a implantação do painel eletrônico, dos tablets e do espaço de convivência —, mas também aderiu ao coro de críticas contra o Executivo.
“A saúde de Mari está afundando igual ao Titanic. A farmácia básica é um caos, os postos estão abandonados e o reajuste dos professores sequer chegou à Câmara. O povo está de mãos atadas e se sente abandonado”, afirmou.
Djacyara reforçou que a Câmara continuará atuando com independência e compromisso com a população:
“Não sou do time do quanto pior, melhor. Quero que Mari dê certo. Mas é impossível ficar calada vendo o povo sofrer desse jeito.”