Os EUA suspenderam nesta quarta-feira o processamento emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo do Brasil. A informação foi publicada em primeira-mão pela Fox News Digital, que teve acesso a um memorando com orientações do Departamento de Estado dos EUA a funcionários de representações consulares, e confirmada pela Casa Branca. A suspensão deve durar por tempo indeterminado.
A rede americana afirmou que o memorando consultado orienta os funcionários consulares a não concederem vistos de imigração com base na legislação vigente. O objetivo seria dar tempo ao Departamento de Estado para reavaliar procedimentos de triagem e verificação de solicitantes de vistos imigratórios. O presidente Donald Trump tem atacado frequentemente as regras de entrada no país, sobretudo concessões a pessoas de países subdesenvolvidos — tendo as declarações mais recentes aberto uma crise com cidadãos somalis.
“Os EUA congelaram todo o processamento de vistos para 75 países, incluindo Somália, Rússia e Irã”, escreveu a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma publicação na rede social X, com um link para o artigo da Fox News.
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A emissora americana, que teve acesso à lista completa de países afetados, citou que além do Brasil, aparecem Irã, Iraque, Afeganistão, Iêmen, Nigéria, Rússia, Somália e Tailândia. Ao menos parte dos países citados já estavam incluídos em medidas restritivas anteriores, como a exigência de pagamento de caução para concessão de visto — caso da Nigéria, que o Departamento de Estado havia anunciado a data de início de cobrança para esta quarta — e a suspensão de outros processos de imigração — que já afeta há meses Irã e Iêmen.
O Departamento de Estado anunciou na segunda-feira que os EUA revogaram mais de 100 mil vistos desde que Trump reassumiu a Presidência, em janeiro do ano passado, com um forte discurso anti-imigração. O número foi apontado pelo próprio governo americano como um recorde — duas vezes e meia superior ao de 2024, quando o democrata Joe Biden era presidente.
— A administração Trump não tem prioridade maior do que proteger os cidadãos americanos e defender a soberania dos EUA — declarou o porta-voz Tommy Pigott no pronunciamento de segunda, citando que milhares de vistos foram revogados pela prática de crimes, incluindo agressão e dirigir sob efeito de álcool.
O secretário de Estado Marco Rubio, por sua vez, destacou com orgulho a revogação de vistos de estudantes que protestaram contra Israel. Sob a liderança do republicado, o Departamento de Estado usou uma lei da era McCarthy, que permite aos EUA proibir a entrada de estrangeiros considerados contrários à política externa americana. Alguns dos afetados, de alto perfil, conseguiram contestar com êxito as ordens de deportação nos tribunais.
O governo americano também endureceu controles para a obtenção de vistos, incluindo a verificação das publicações nas redes sociais dos requerentes.
As revogações fazem parte de uma campanha mais ampla de deportações em massa por parte do governo, levada a cabo de forma agressiva mediante o aumento do número de agentes federais. O Departamento de Segurança Interna disse no mês passado que o segundo governo Trump deportou mais de 605 mil pessoas e que outras 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente. (Com AFP)
O GLOBO