A empresária Jaqueline Maria Afonso Amaral foi alvo da Operação Fruto Envenenado, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira, em Campo Grande. Agentes federais cumpriram três mandados de busca e apreensão na capital do estado. A defesa da mulher diz que ela foi surpreendida pelas diligências em sua casa e que exerce atividade lícita (leia mais abaixo).
Segundo a Polícia Federal, a ação também teve como objetivo o bloqueio de mais de R$ 2,7 milhões, valores que seriam provenientes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Jaqueline, mulher do cantor sertanejo Diego, da dupla com Henrique, dos hits “Suíte 14” e “Malbec”, foi descrita como a “principal suspeita” na operação. Os dois, que eram vizinhos, começaram a se relacionar em 2021. Ela é empresária de artistas do ramo e ex-companheira de um dos homens apontados como chefes do PCC: Júlio César Guedes de Morais, o Julinho Carambola.
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Condenado a mais de 168 anos de prisão, Carambola é braço-direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, de acordo com as autoridades de São Paulo — e responsável, entre outros crimes, pelo assassinato do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, em 2003.
Jaqueline e Carambola foram casados por duas décadas. As investigações apontam que ela teria recebido quase R$ 3 milhões entre 2018 e 2022 para sustentar uma vida de luxo. A suspeita é de lavagem de dinheiro.
“Para ocultar a origem ilícita dos bens, foram utilizadas contas bancárias e nomes de parentes e amigos próximos”, diz a PF. Durante as buscas, foram apreendidos aparelhos celulares, munições e veículos. A defesa de Jaqueline afirma que ela entregou o celular e forneceu a senha de acesso para os investigadores.
Em nota enviada ao g1, a defesa de Jaqueline disse que ela recebeu com surpresa as buscas na residência, “sob pretexto de investigação de supostas relações com integrantes de organização criminosa, de vez que se separou e se afastou de seu ex-companheiro há vários anos, tendo constituído outro núcleo familiar”.
Os advogados afirmaram, ainda, que Jaqueline mantém atividade empresarial lícita e regular e está à disposição para prestar esclarecimentos. A defesa ressaltou que poderá esclarecer “com mais propriedade” as circunstâncias que levaram “ao equívoco” de a cliente ser alvo da operação quando tiver acesso ao processo.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Mato Grosso do Sul (FICCO) conta com agentes da Polícia Federal (PF), da Polícia Militar do estado, Polícia Penal Estadual (Agepen) e da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).