Funcionários e ex-funcionários do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinaram procurações que concedem à chefe de gabinete do parlamentar, Ivanadja Velloso Meira Lima, poderes para movimentar suas contas bancárias, segundo uma reportagem do Metrópoles. Ivanadja é ré por improbidade administrativa, acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de operar um esquema de rachadinha no gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB).
As dez procurações foram encontradas pela reportagem do Metrópoles em cartórios da Paraíba. Os documentos começaram a ser assinadas em 2011, quando Hugo Motta assumiu o mandato de deputado federal pela primeira vez.
A ação contra Ivanadja por improbidade administrativa está em tramitação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, conforme confirmou o GLOBO. Ao apresentar a denúncia, a procuradoria apontou que Ivanadja movimentou a conta de servidores que nunca prestaram serviços na Câmara e nem tinham conhecimento do valor ou do número de suas contas bancárias.
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Após deixar o gabinete de Santiago, Ivanadja assumiu a chefia do gabinete de Motta em 1º de fevereiro de 2011, quando o deputado era um novato na Casa.
Caseiro nomeado
Entre os funcionários que assinaram procurações estão Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, que recebe remuneração desde 2 de fevereiro de 2011 e já acumulou mais de R$ 1,1 milhão. Segundo a reportagem do Metrópoles, ele assinou duas procurações conferindo poderes a Ivanadja.
O jornal “Folha de S.Paulo” apontou que, apesar de ser empregado no gabinete de Motta na Câmara, Soares é o caseiro da fazenda de Motta em Serraria (PB), cidade de 6 mil habitantes a 131 quilômetros de João Pessoa. Procurado pelo GLOBO, ele não retornou aos contatos.
Segundo o Metrópoles, as procurações dão poderes “amplos e ilimitados” para Ivanadja fazer saques e realizar movimentações bancárias em nome dos funcionários. Oito das dez procurações lhe permitem, explicitamente, “receber salários”. Dois funcionários que assinaram esse documento seguem no gabinete de Motta — um deles é o caseiro Ary Gustavo Xavier Guedes Soares. No total, essas pessoas acumularam mais de R$ 4 milhões em remunerações, considerando apenas o período em que estiveram lotadas no gabinete do atual presidente da Câmara.
A outra funcionária que permanece no gabinete de Motta é Jane Costa Gorgônio, de 69 anos, ainda de acordo com o portal de notícias. Ela assinou a procuração em março de 2012. Desde então, ganhou R$ 336,7 mil como secretária parlamentar. Procurada, ela desligou o telefone logo após a reportagem se identificar.
O Metrópoles diz que fez contato com as dez pessoas que assinaram as procurações e perguntou quais eram as atribuições delas no gabinete de Motta. Duas mulheres teriam encerrado a ligação assim que foram questionadas se ficavam com todo o salário.
Outra pessoa que transferiu para Ivanadja o poder de sacar o próprio salário é Maria Socorro de Oliveira, de 64 anos, segundo o Metrópoles. A procuração foi assinada em 9 de abril de 2013, exatamente seis dias depois de ela ter sido nomeada no gabinete de Motta.
Maria Socorro permaneceu com o deputado paraibano até novembro de 2016. Nesse período, no entanto, segundo o portal, ela esteve lotada no governo da Paraíba como diretora do Centro Social Urbano Angelina Mariz Maia, em Patos, reduto eleitoral de Motta. Há duas semanas, o Metrópoles solicitou a folha de ponto dela para o governo estadual, mas não houve retorno. Além da rotina ser incompatível com as funções na Câmara, a Constituição Federal veda a acumulação de cargos públicos comissionados. Procurada, ela não se manifestou.